segunda-feira, 16 de maio de 2011

…não entendes o conceito de “crise”

 

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Hipótese A

Os cafés/restaurantes/pastelarias continuam cheios para o pequeno-almoço. É em estações de transportes públicos, nos cafés dos supermercados, nas casas de petiscos, o que o bom do português não pode falhar é com o pequeno-almoço ou com o lanchinho fora de casa! Mas depois quando toca a Hipótese B, a conversa não é a mesma!

Hipótese B

O preço de uma consulta já não é o único problema, o transporte até ao local já sai demasiado caro. É triste perceber que não é o preço da consulta que está a preocupar uma família, pois mesmo que esta fosse grátis não tinham dinheiro para o transporte. O que me corta o coração? Que no final de uma consulta (neste caso grátis) a família me peça dinheiro emprestado para poder voltar para casa. É horrível, mas no minuto a seguir posso virar a esquina e surge-me a Hipótese C.

Hipótese C

Planeamento de férias pouco… nacionais. Então já sabes para onde vais de férias? Deve ser a pergunta mais frequente nesta época do ano. E quando respondo naturalmente que devo ficar por cá (entenda-se não muito longe de casa) geralmente a resposta não é muito diferente de Ah… fazes bem. E morre o assunto porque simplesmente não é interessante e não é isso que as pessoas estão habituadas a ouvir. Por outro lado, existe a Hipótese D.

Hipótese D

As férias do emprego são ocupadas com um emprego temporário. Não será a grande maioria das pessoas, mas há quem o faça. As férias deixam de ser um direito, para passar a ser um dever. O dever de ganhar mais algum para suportar as despesas.

 

Com tantas perspectivas diferentes, não sei muito bem o que é a crise. Talvez uma questão de marketing política, talvez  uma questão que não passa por uns, mas calhe aos outros. Os mesmos outros de sempre, que se limitam a trabalhar, a receber cada vez menos, a pagar cada vez mais e a sobreviver no meio deste grande buraco, ora tapado para passar despercebido, ora bem destapado para todos verem, dependendo do que mais convém. A quem? Não faço ideia, ao Zé Povinho é que não é de certeza.

8 comentários:

Ganas de Viver disse...

Infelizmente acho que ainda não batemos no fundo! Ainda anda muito boa gente a acreditar no "Pai Natal".

E, sim, tens toda a razão quando dizes "...uma questão que não passa por uns, mas calhe aos outros..." é isso mesmo.

Continuamos a ser um povo de brandos costumes, que tudo aguentamos só com queixumes :(

Imagina... disse...

Bela rima final. Custa-me pensar nestas coisas. Somos muito "isto resolve-se, sem eu mexer uma palha" e fica-se à espera que a sorte bata a porta.
Nem quero pensar nesse fundo de que falas. :S **

Olívia Palito disse...

Caraças! Até que enfim alguém escreve aquilo que sinto há muito. Concordo em tudo. Ainda ontem estava a ter essa conversa, onde dei como exemplo, muitos desses itens. ;)
E pergunto o mesmo: onde está o conceito da crise? Umas pessoas queixam-se que não têm dinheiro para uma coisa, e têm para outra. Não compreendo...

Beijo minha querida. ;)

Imagina... disse...

É exactamente isso. Para coisas que pessoalmente não considero minimamente importantes são capazes de gastar o dinheiro, mas depois quando é para coisas de que precisam, não há!
Que raio de gestão é esta? Preocupa-me...

Obrigada Olívia por concordares comigo, às vezes sinto-me um verdadeiro ET.
Beijo*

Olívia Palito disse...

Não és E.T. nenhum minha querida. Se és, eu também o sou. ;)

A "sociedade" é que está a perder muitas bases e valores, de uma forma assustadora. Por exemplo, eu noto que, se eu sorrir para alguém que não conheço ou for simpática, noto muitas vezes uma certa desconfiança, a pensarem até que ponto estarei a ser falsa ou não. Depois vão para as redes sociais, ou marcam encontros às cegas com quem não conhecem de lado nenhum, um contracenso, portanto. Parece que hoje em dia as pessoas têm medo de sorrir abertamente, de olhar nos olhos, de abraçar, tocar, não sei. É assustador.

[Pronto... Acabei por desabafar isto. Porque realmente esta sociedade actual deixa-me confusa...]

Beijo grande minha querida.

Imagina... disse...

O que dizes é bem verdade. Senti na pele, há bem pouco tempo, um pouco daquilo que descreves.
Tive um acidente, precisei de ajuda porque fiquei presa e as pessoas passavam ao lado, olhavam e ninguém me ajudou. Parecia que estavam com medo que eu lhes fizesse mal assim que se aproximassem e viam perfeitamente o que estava a acontecer. Não me consigo esquecer disso. Ao ponto que chegámos, para desconfiarmos de tudo e de todos ao mínimo sorriso, como bem referes.

Gostava que existissem mais E.T. neste país.

Beijo, Olívia.
Obrigada pelo desabafo, pelo teu e pelo meu.

Olívia Palito disse...

Realmente... Ao que isto chegou. Ainda me lembro, no ano passado deu na televisão, um video que me marcou, foi nos states, um mendigo levou uma facada, estava a esvaiar-se em sangue deitado no chão, e as pessoas simplesmente a desviaram-se/contornarem o corpo no passeio sem prestarem qualquer tipo de auxilio, e o senhor acabou por morrer. Isto é de uma atrocidade incrível. Tenho muitas conversas destas com a minha grande amiga S. (do blogue "Confessions a fashion girl"), ela felizmente, é uma E.T.como nós. ;)

Não há que agradecer estes desabafos. Agradecer é ao universo, ou sei lá a quem, que aproxima pessoas com ideias tão parecidos. Ainda bem que ainda há pessoas com as quais nos podemos identificar. :)

Imagina... disse...

Que horror. Não sabia dessa notícia. Isso é completamente desumano!

Precisamos de E.T.'s no mundo. É bom saber que ainda existem.

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